26 de outubro de 2009

Com a noite



No escuro me acendo. Ascendo se for intenso. De lua cheia.
Da escuridão eu não tenho medo. Sou loba da noite.
No entardecer caminho. Busco o instante do céu em fina cor e da chuva de diamantes.
Da escurião eu não tenho medo. Sou esse silêncio que sopra na janela.
No uivar do vento encontro voz. Ainda enxergo nuvens. Ainda enxergo nuvens.
Da escuridão eu não tenho medo.

5 de outubro de 2009

Ao meu menino


Sempre falei do amor. Sempre foi um tema que me inspirou e me envolveu de maneira fabulosa. Porém, peço perdão às palavras que dediquei a este sentimento. Pois pela primeira vez sinto o que é verdadeiramente "amar e ser amada" e é uma sensação que foge do meu controle, das minhas idéias e dos verbos de ação...
Nada é suficiente para explicar. Nenhum adjetivo é capaz de medir. Nenhuma frase é forte o suficiente para conter com um ponto final. Amar pede reticências...
É tentar dizer o indizível. Explicar o inexplicável. Amo simplesmente.
Amo com toda minha fé e sinceridade. Com toda minha alma, mente e corpo. Amo como nunca imaginei amar. Confio como nunca imaginei confiar. Amo sem medo, sem pressa, sem ciúme. Amo de olhos fechados dançando no escuro.
Viver um sonho me emociona e me assusta, já que sempre dá aquele frio na barriga ao acordar quando me pergunto, " será tudo realidade ou sonhei ?". Mas quando concluo que tudo é real, sinto correr dentro de mim uma intensidade luminosa de alegria capaz de explodir no céu como fogos de artifício e contagiar a espécie humana com alguma substância insolúvel e inexplicável que produz conforto e serenidade.
Amar da maneira mais pura, mais sincera e mais entregue que posso, me faz sentir coragem, proteção e paz interior. E tudo isso é natural, é incontrolável e dispensa a razão.
Amo e tenho o amor como guia.

Te amo, meu menino. Obrigada por me fazer realmente entender o que é amar e ser amada.

23 de agosto de 2009

Pulsando azul da prússia


Meu coração é ocupado por um terreno de flores em tom vermelho-sangue que se renovam e por momentos me deliciam com o aroma que exalam dentro de mim. Uma anestesia, uma sinestesia. Um tal de sonhar com mãos que dadas, se sentem.
Quando essas flores brotam, corre pelas minhas artérias uma forte dose de amor a ser dado . Um buquê sedutor a ser entregue. Começam os sonhos, o brilho nos olhos, as cores. Gratuitos. Um observar novos horizontes, novos sorrisos, novos viveres.
Se não há quem as colha, elas murcham em um processo doloroso e aflito. Porém, temporário. Então quem assume é a cor azul da prússia. Ela invade o terreno outrora habitado pelas diversas flores sedentas por um olfato sensível e passa a tornar gélido o ambiente. Gélido e completamente azul. Então uma fina cobertura de neve e inspiração o ocupa. Não inspiração anti-romântica necessariamente, mas certamente de observação dos corações alheios e atados. Dos jardins que observo de minha janela. Passa a existir um gosto de gelo no centro da língua.
Apesar do desgaste em decorrência das constantes mudanças de estações, o coração enquanto pulsar, morrerá e renascerá em pétalas aveludadas e ansiosas por toques sinceros de mãos que sabem sonhar. Mesmo que o amor que corre em artérias saindo do peito volte solitário em veias que retornam (como uma carta que não encontrou endereço existente), que ele continue pulsando e fertilizando o solo das flores. Permitindo que o amor impossível encontre a sua possibilidade dentro de si mesmo. Uns chamam isso de dedicação exclusiva ao amor-próprio. Eu chamo de momento azul da prússia.

3 de agosto de 2009

A comédia dos amores

Eu coloco um disco na vitrola e Padam Padam começa a invadir a nossa sala na voz de Piaf. Ele sai da cozinha com duas taças de vinho tinto nas mãos. Ele chega com passos no ritmo da canção e me incomoda por estar com o primeiro botão de sua camisa desabotoado. Eu o espero com braços postos em um vestido amarelo-ouro. Acabamos de chegar de uma festa de gala. Numa das mãos eu seguro a taça que ele me trouxe, com a outra tateio sua face e enrolo meu dedo indicador em um de seus cachos que escorrega sobre sua testa. Ele me olhando nos olhos diz Toute la comédie des amours e me beija no canto esquerdo dos lábios. Seus lábios estão quentes.
Num tomar descuidado ele me conduz pela cintura ao centro da sala onde valsamos o refrão da canção. Em cada girar sinto meu coração batendo junto ao dele. Nossos ritmos entram em compasso como os nossos pés. E giram, giram, giram...Vivendo o mesmo pulsar.
Então paro nossa dançar e o olho seriamente nos olhos. Encosto meu nariz e sinto o perfume que exala de seu pescoço. Retomo meu olhar aos seus olhos e pergunto o que faremos quando tudo acabar. Ele sorri, retoma a nossa valsa e sussurra "Quando tudo estiver acabando estaremos girando rápido demais para notar o fim." Nossas taças caem no chão no último gritar da melodia.



*http://www.youtube.com/watch?v=LfmguyDRBwU -- Padam Padam

27 de julho de 2009

Quem te dirá?


Que cor você quer ser quando crescer ? Em que sonhos você vai se apoiar quando tudo estiver real demais ? E em matéria de amor, o que pretende ensinar ? E aprender? E quando estiver em silêncio, que canção você assobiará ? Que música quer escutar quando terminar de jantar depois de um dia de cão? Que medos você vai me revelar quando a noite cair ? Que revelação? Que festa você vai dar quando tudo explodir? E quando a explosão for de satisfação ? Que livro você quer ter como ocupação ? Que sorriso você vai dar quando seu filho sorrir pela primeira vez? Quando seu amor ao seu lado dormir de vez? E acordar para sempre? Quantas palavras você quer escutar quando tudo mudar? Que textura para a sala de estar? Que cama? Que console? Que consolo ? Que medo de escuro? Que fotografia tirar ? Que dia para o balé sua filha irá? E se ela não for ? Se preferir karatê? Que domingo na piscina você vai ficar? Que beijos de boa noite você vai dedicar? E cartas ? Que peixe você vai criar? Que dia a conta de telefone vai chegar? Quantos questionamentos você ignorará? Que cor você quer ser quando crescer?



*Foto da minha amiga belíssima e queridíssima, Maia. Para ela não poupo superlativos.

26 de julho de 2009

Bendito fruto (I)



Lealdade
Composição: Wilson Baptista/Jorge de Castro
http://www.youtube.com/watch?v=E9ioe6clKy8&feature=fvw = Escute com Eddie* !

Serei
Serei leal contigo

Quando eu cansar dos teus beijos te digo

E tu também liberdade terás

Pra quando quiseres

Bater a porta

Sem olhar p'a trás

Quando os teus ohos

Cansarem dos meus olhos
E o teu sorriso

Cansar da minha voz

Quando o teu corpo

Tiver cansado dos meus braços

Não é preciso haver

Falsidade entre nós


* Banda Eddie http://www.myspace.com/bandaeddie
Banda brasileira, nordestina, pernambucana. Encantadora.

(A versão que mais gostei foi deles)

Mas também escute com Caetano Veloso http://www.youtube.com/watch?v=skmrN0uUwqY

Essa é uma das músicas mais lindas que já ouvi na vida. Fica a dica.