31 de outubro de 2007

Vamos falar de coisa séria.

Acabei de ver o filme "Tropa de Elite", a versão pirata inclusive. Compraram aqui em casa faz bem um mês, mas ouvindo e lendo todo o bafafá em torno dele preferi assistir depois.Hoje. Admirei o trabalho da direção, do roteirista, do elenco, em especial o do Wagner que faz um trabalho classe A. Mas não vou escrever uma crítica de cinema.Vou usar o link do filme para falar da mais pura realidade. Que apesar de não ser a minha realidade, é a de muita gente, que está bem do meu lado.
Confesso que antes do filme e de todo alvoroço que veio com ele, eu não conhecia o BOPE.Já havia ouvido falar na Tropa de Elite mas nunca associei.Pessoalmente, vi nesse filme o retrato de uma vida infernal. Fundamental para a vida pacífica de todos nós. Vida dura no mais profundo sentido da palavra. Não vou me extender nesse ponto, pois pouco conheço sobre esta equipe e não quero ser superficial falando profundamente sobre um tema que tenho como base apenas um filme que acabei de ver. Quero puxar dele especificamente o link das drogas. Traficantes, usuários, liberdade, consciência, preconceito.É disso que quero falar.
Não acredito na visão divertida das drogas. Não vejo graça em perder o controle dos próprios atos, não acho bonito ser dependente de substâncias químicas destrutivas para ser "cool". Acho babaquisse. Coisa de gente fraca. Gente acomodada.
Respeito quem usa. Respeito quem não usa. Já que respeito deve ser algo irrestrito e independente de opiniões pessoais.Tenho admiração por muitas pessoas, muitos cantores, compositores, atores, que são excelentes profissionais e que fumam maconha, cheiram cocaína. Só caberia um "apesar" entre ser excelente profissional e usuário de drogas se estivessemos no tópico "saúde", devido aos efeitos degenerativos ocasionados pelo uso de drogas comprovados cientificamente. Mas quanto ao preconceito de acreditar que uma coisa impede a outra, esse eu jogo no lixo. Dou descarga.
O que me revolta não é exatamente o fato do uso das drogas, pois cada um faz e desfaz da forma que achar que deve com sua própria vida. O problema está quando esta opção mexe com uma estrutura paralela que se alimenta do vício: O tráfico. Esta indústria que envolve dinheiro, poder,violência, dependência, criminalidade. Sugiro aos usuários que montem um jardim, uma horta, um canteiro e plantem dentro de suas casas e consumam lá dentro.Se possível trancados no banheiro. Façam dela uso pessoal. Suicídio coletivo é coisa de gente duplamente incompetente.
Sou jovem, conheço pessoas que fumam cigarro, bebem até cair, cheiram lança-perfume...Fazem parte dos usuários, sejam lícitos ou ilícitos, das drogas. Eu respeito a opção individual de cada um, não preciso enquadrar quem usa no grupo do "aquele povo; esse tipinho de gente". Se essa pessoa me convidar para fumar maconha por aí, eu direi que não, não faz meu gênero, não preciso disso.Mas se a mesma pessoa me convidar para assitir um Balé ou sei lá o quê no teatro qualquer dia, porque não ? Ninguém pode resumir ninguém. Só não admito e enojo, HIPOCRISIA. Gente que usa do rótulo "maconheiro" para ser passar por revolucionário, fazendo passeata pela paz, falando que a violência no país está impossível.Emocionados em shows alternativos e poéticos. Enquanto ao mesmo tempo, estão indo negociar droga com traficante em boca de morro. Ou pior, usando os intermediários. Dando assim, sua grande contribuição para destruir cada vez mais o sistema e colocando a culpa nos governantes corruptos, na falta de educação. Ah, vai te catar...Quantos burgueses "filhinhos de papai" torram sua mesadinha em maconha e fazem faculdade de Direito. Acham que para serem moderninhos têm que estar topados de ecstasy. Isso é coisa de gente sem personalidade. Quer usar drogas, use. Mas seja decente o suficiente para se assumir como usuário e contribuinte para a sociedade desgraçada e injusta que vivemos, e para calar a boca quando for vomitar seu discurso barato contra a violência atual. Vamos parar com esta "hipocrisia nossa de cada dia, nos dai hoje".
Mais uma vez,não tenho nada contra a maconha, até vestiria uma camisa com uma imagem da folhinha, mas pera lá, vamos assumir a parcela de culpa que nos cabe neste latifúndio.
Apesar de muitos de meus heróis terem morrido de overdose, estes não são meus heróis por essa razão. Mas sim, pelo que eles foram além disso.
Não sou moralista, tão pouco dona da verdade. Aqui estou colocando meu ponto de vista. A decepção que me tomaria se eu descobrisse que o Chico Buarque fuma maconha, se auto-destrói...mas a certeza de que continuaria amando-o da mesma forma. Daí você me joga um "Ué Mônica, cigarro é droga, bebida também é...". Primeiro eu te respondo que não consigo sobreviver ao cheiro de cigarro pois ele trava os meus pulmões.Sendo assim, meu problema com o cigarro é biológico. Segundo, não condeno bebida alcoólica, mas sim o excesso contínuo dela. E terceiro, para finalizar, alguém já viu ou ouviu falar de alguém que foi procurar traficante pra comprar uma carteira de cigarro ? Uma garrafa de cachaça ? Estas apesar de nocivas, são mais individuais, não sustentam, creio eu, o tráfico.
Vão ouvir rock pscicodélico, chacoalhar a cabeça pulando e mascando chilete ao mesmo tempo. Aos micareteiros, vão correr atrás de um trio elétrico.Ninguém precisa se matar, nem prejudicar a sociedade, para se divertir.
A quem quer se matar, meu respeito e boa sorte.Tenham um bom cultivo de subsistência de maconha, e uma boa cova.Ou se quiserem auxílio médico.
A quem quer prejudicar a sociedade, bem, a estes, uma solução : cadeia.

30 de outubro de 2007

Não tenho obrigação.

A gente não tem obrigação de dar certo na vida. Cada um cabe em sua própria mediocridade. Se eu tiver que morrer com 80 anos sozinha, sem netos e distribuíndo flores e fazendo ponto de cruz numa cadeira de balanço não vou me sentir patética. Talvez eu só me sinta velha e seca. E talvez sentir-se velha e seca seja pior do que sentir-se patética. Talvez eu nem passe dos 30. Vai saber.

15 de outubro de 2007

Menos um dia.

Existem coisas e pessoas que surgem em nossa vida bruscamente, sem razão exata, sem participação pré-meditada, sem referências, mas que simplesmente viram nosso mundo de ponta à cabeça. Quando chegam nos deixam patéticos, abobalhados, dispersos. Depois quando somem e nos deixam furiosos, arrependidos e depressivos. Para que servem ?


Estou procurando entender.

7 de outubro de 2007

Luz e mel

Luz e mel. Algumas pessoas nascem sem. Ou com excesso de. Não nasci com esmeralda na testa, nem com espartilho em alta. Talvez surgi do crepúsculo, para as alcovas da vida. Para as ruas sem saída. Gosto de observar, me saio bem nesta tarefa. Mas de tanto me esconder, me perdi. Me perderam. Agora, sou uma estrela invisível. Como as que estão no céu, e sentem-se vivas brilhantes mas estão apagadas. Os apaixonados já fitam outras estrelas, as rutilantes. E aqui fico...sobrevoando a imensidão do universo, olhando e amando tudo que não me vê e que nem posso tocar. Sina, castigo, karma, predestinação...Não se sabe. Mas Freud já está estudando meu caso sobre nuvens violeta, e me enviará em breve uma eficiente resposta psicografada por Keith Richards duas horas antes de seu falecimento.

6 de outubro de 2007