19 de fevereiro de 2008

A Despedida


Hoje me vesti de preto.
Tirei do armário aqueles velhos sapatos empoeirados.
Me preparei.


Colhi as flores mais lilás de meu jardim.
Senti pela última vez o vento. Ouvi pela última vez o seu uivar.
Hoje será um dia nublado. Frio.



Estou velando um corpo.
Um corpo ainda quente porém, morto.
O corpo de Casimiro de Alcântara.
Meu próprio corpo.
Me declaro em luto.



Observo as velas febris e o silêncio enregelado.
Eis o meu velório.
O meu último suspiro de adeus.


Como epitáfio deixo alguns versos roubados na primeira gaveta.
Palavras mortas. Rimas secas.
Só aguardo o calor da terra.
Só aguardo a transmutação para dentro de mim mesmo.
Meu momento de esvaecer.



Espero que as lágrimas germinem a minha semente.
As lágrimas que espero vêm da chuva.

Um comentário:

~~ disse...

A vida é um breve passar...

:]