15 de fevereiro de 2008

Fotografia


Passava no céu uma nuvem de algodão doce em formato de urso naquele exato momento. Também naquele instante, um homem lia a última página de seu livro de capa verde e uma senhora recebia a notícia da sonhada gravidez de sua primeira filha.

Uma brisa leve me sussurrava algo indecifrável que me despertava um suave sorriso no rosto. A grama massageava meus descalçados pés e alguns raios de Sol esquentavam minha face.
Eu olhava para dentro daquela caixinha com desconfiança mas aguardava ansiosamente o comando oficial do fotógrafo para sorrir.
Quando então, algo me envolveu de súbido. Era uma luz verde clara com cheiro de jasmin e sensação aveludada. Tinha gosto de jabuticaba.
Em meio à toda sinestesia inebriante fui levada para as estrelas, abracei cometas, dei cambalhotas na lua. Fiz dos anéis de Saturno, bambolês.

Quando abri os olhos e me percebi em solo, não encontrei mais nada além de uma fotografia Polaroid jogada aos meus pés. E nela impressa meu corpo vazio. Nela não haviam resquícios de alma. Apenas uma pequenina borboleta lilás que me tocava as orelhas com suas asas.

3 comentários:

Caio Lamas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caio Lamas disse...

Moniquinha listradinha... eu não posso deixar só uns pontos como pediu.

Sua subjetividade extasiante me faz sentir uma criança, faz relembrar sentimentos ja esquecidos.

Esses dias aqui lendo o seu blog em segredo só faz admirar a ti ainda mais.

analys disse...

eu tenho que comentar nos dias atuais né? comentei no do carnaval, olhe depois.
beijos

lyss