28 de maio de 2008

Na boca do povo


Normalmente sou muito observadora. Seja visualmente ou auditivamente. Então, desde o ônibus, à porta do cursinho, ao caminhar na rua ou até mesmo à convivência familiar, a maneira de agir e falar das pessoas me prende a atenção. Pratico involuntariamente o tal do "Peoplewatch". Acho que é mal de quem gosta de escrever e vive em processo de laboratório e composição de "personagens" 24 horas por dia.

Abaixo estão algumas das tantas situações curiosas que ouvi e vivi recentemente e que merecem registro.Ou pela grande sabedoria, ou pela ausência dela. Fala meu povo...



Confuso, demasiado confuso


"-Mãe, com quantos paus se faz uma barraca ?" - perguntei.

- Barraca eu não sei...Mas canoa...É, eu também não sei- respondeu minha mãe pensativa "


Balde de água fria


"- Cara, hoje quando acordei tinham 7 ligações não atendidas em meu celular - falou Berenice empolgada com a sua popularidade com tantas pessoas. Sete numa mesma manhã!

- Fui eu - respondeu sua amiga.

- Você ligou 7 vezes ?- perguntou revoltada.

- Foi. Precisava te lembrar do meu caderno de física.

- Ah... - suspira Berenice desolada "


Igualando idades


"-Você não disse que meu pai viria me buscar ?- grita com a mãe, uma menina de mais ou menos uns 8 anos na porta da escola.

- É filha, mas seu pai não pôde.

- E porque você não me ligou pra avisar ?-continua gritando.

-Agora deu minha amiga, ligue pra seu pai e pergunte -finalizou a mãe irritada."


Remorso


"Ah mulher, os atendentes da Calçados têm direitos. Quando fazem hora-extra a dona da loja manda servir lanche e tudo. Já a patroa que tenho lá na Shoes nem te conto...Está para nascer alguém pior."


Novo ramo do Direito


"Eu escolhi o curso de Direito porque ai, você tem um leque de opções de trabalho. Eu por exemplo, quero ser desembarcadora.- falou Luiza decidida na porta do cursinho."



Toda regra tem exceção. Todo militar também.


"Eu acho um absurdo preconceito com os gays. Eles são como qualquer pessoa, só que possuem gostos diferentes. Temos que respeitar - falou o meu avô militar."



24 de maio de 2008

Quando o sertão virou mar


Quando a água se enfurece vira fogo. Queima os nossos corpos e sonhos.Vira máquina. Desmorona cada pedaço construído como se dela fosse.

Cada lágrima e gota de suor derramada tornou-se enchente, tornou-se lama. Foi tão alto que transformou uma cidade seca em rio. Árvores em algas.


Numa casa de pau-a-pique escura e distante moram sonhos e filhos. Mães e pés na lama. Mora o vazio.

Uma senhora atravessa cabisbaixa pelos destroços com um quadro e um ramo de pimentões nas mãos. Seus olhos não estavam presentes.

Uma mulher louca sorri enquanto nina um bebê de plástico. Para ela tudo é seca, tudo é ontem.

Uma grávida espera sem esperanças.

Um herói ao sentir as primeiras gotas de chuva, volta para casa com medo.

Roupas não bastarão, alojamentos não caberão. O que a água leva nela fica. Mesmo que seja o pouco, mesmo que sejam os sonhos.

Aquela noite já passou. Por sorte ninguém se feriu. Mas nenhuma noite é única e aquele povo não pode mais esperar. Ficaram nas mentes mais do que pesares, ficaram fantasmas da noite em que Maruim ficou submersa.




* Escrevi isto com base em tudo que vi com meus próprios olhos na cidade de Maruim. Esta cidade que não chega a ser um típico sertão, mas é uma cidade humilde, fica no interior do estado de Sergipe e recentemente passou por uma enchente de danos absurdos. Fui com um grupo do cursinho em que estudo fazer doações de roupas, lençóis, e material de higiene pessoal. O cursinho liderado pelo médico e professor Almir Santana, conseguiu arrecadar muita coisa e destribuir para algumas famílias da cidade, sejam as que estão isoladas em povoados paupérrimos ou as que estão alojadas numa escola pois perderam suas casas. Nesta escola dormem por sala cerca de 31 pessoas.
O caso é grave e se intensifica com o período de chuvas do estado. Conversei com muitos moradores e todos estão desesperados, preocupados, desamparados. Perderam suas casas, móveis...Por pouco suas vidas. Eles que já são pobres estão à mercê de doações. O governo precisa tomar atitudes emergenciais naquela cidade. A chuva e o rio não esperarão, o povo também não pode mais esperar.

22 de maio de 2008

Metalinguagem²


O dicionário é um grande difusor da linguagem metalinguística, já que nele encontramos palavras que explicam o significado de outras palavras. A própria leitura do significado da palavra Metalinguagem é um ato altamente metalinguístico. Mas apresentarei aqui, um caso ainda mais extremo e prático de metalinguagem que descobri recentemente.

Dentre os meus hobbies, está presente a leitura periódica do dicionário. Até a letra "F" estou apta. Sei que meu hábito é álacre,bizarro,absorto, estrênuo, até enfado, mas não estou aqui debalde. Nem de balde. Por favor não me venham falar que meu Blog é uma zine. Ainda não cheguei até a letra "Z". Brincadeirinha...

Certa vez, em tais leituras, me deparei com a palavra Burocracia. E quando li seu significado, percebi espantada que a metalinguagem do momento não se resumia apenas à função do dicionário. Observem atentamente:

Burocracia: sf

1. Modo de administração em que os assuntos são resolvidos por um conjunto de funcionários sujeitos a uma hierarquia e regulamento rígidos, desempenhando tarefas administrativas e organizativas caracterizadas por extrema racionalização e impessoalidade, e também pela tendência rotineira e pela centralização do poder decisivo; 2. Classe dos funcionários públicos, especialmente os funcionários do Estado.

Agora me respondam, existe algo mais burocrático do que o significado da palavra Burocracia ?
O significado em si, desempenha seu próprio papel. Revela um exemplo vivo do que a palavra expressa. Bastaria um: "Enrolação e perda de tempo". Ou como diz minha mãe :" Procedimento utilizado para torrar a paciência e freqüentemente arrancar o dinheiro dos outros".
Se mudássemos a significação da palavra nos dicionários, antes de mais nada teríamos que mudar a aplicação da palavra em nosso dia-a-dia. Assim, perderíamos na intensidade desta metalinguagem, mas ganharíamos muito mais em tempo e clareza sem tanta burocracia linguística desnecessária.






*Vamos exercitar a metalinguagem ? Praticarei uma bem simples : "Escrever é muito legal". Escrevendo eu escrevo o que é escrever. Agora enquanto lê, você também pode praticar : "Ler é muito legal". Lendo você leu que a leitura é legal. Legal mesmo né ?

19 de maio de 2008

Marcelo Ad quem ?

Marcelo Adnet. Esse é o nome da figura. Ou melhor, o nome de um dos maiores humoristas dos últimos tempos do país. Que a "Emetevê"(Mtv) tem a honra de abrigar num programa chamado "15 minutos", com a duração de 15 minutos. Sacou ?

Este cara não é apenas mais uma carinha bonita de buço suado não, tem talento de verdade. Tem histórico. Ele participa de uma peça teatral chamada "Zenas Emprovisadas" ou simplesmente, "Z.É.". Esta peça é muito curiosa e só participa dela, meu caro, quem tem muita bala na agulha. São quatro humoristas, dentre eles o Adnet, mais atores e diretores convidados. Eles seguem uma linha semelhante à de um programa americano "Whose line is it anyway ?" que propõe a humoristas o trabalho do improviso. Talvez seja a prova de fogo de qualquer ator, principalmente ator de comédia. Mas eles não decepcionam, pelo contrário, são muito divertidos e sempre têm algo de muito louco ou muito sagaz(ou ambos fundidos) a dizer. O Adnet em especial.


Com seus vinte e poucos anos, ele já esbanja humildade, talento e humor dignos de senhores da comédia nacional. Ele fez alguns filmes, comerciais, participações em diversos programas, mas agora tem seu espaço próprio. Espaço este que ele divide com seu fiel escudeiro Quiabo. O Adnet influenciado pelo estilo "Stand-Up" de comédia, leva seu programa "15 minutos" com uma mescla de roteiro e improvisação. E vou te contar, ele está fazendo muito sucesso. Seja com os surfistas pela divulgação e promoção nacional do Hang-Loose e suas infinitas vertentes(mini-hang-loose, super-hang-loose), seja com as mulheres que passaram a achar um charme caras de pochete (vide propaganda da Oi), seja com a mídia ou com a juventude telespectadora da Mtv.

Resolvi escrever sobre ele pois antes de mais nada pesquisei, li e vi muita coisa muito boa sobre o trabalho dele e acredito que ele merece um Post exclusivo no meu modesto Blog. Inclusive, andei colocando recadinhos em croata para ele no Orkut. Ou para um fake qualquer.
Para quem não sabe, o cara é estudioso em russo, servo ou croata, não sei ao certo... Eslavo...(?) Bem, vamos em frente !

Adnet está para ficar. Quem não conhece, procure conhecer.

Volim te Adnet !! :}


Visitem : http://mtv.uol.com.br/blogosfera/?b=15_minutos


*Quem não entendeu muita coisa, como "buço suado" , "Hang-loose" ou "Pochete" não se preocupe, são piadas internas para telespectadores e fãs do "15 minutos" e do Adnet. Explicarei em uma outra oportunidade.

15 de maio de 2008

"Mesmo calada a boca, resta o peito"


Hoje estou com pensamentos recorrentes sobre a Política atual como ringue entre vilões e mocinhos do passado.E sobre Números Complexos também.

Tudo começou pela manhã, quando indo ao cursinho escutei numa emissora de rádio que o atual ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi preso e exilado no período ditatorial do país.E isso sem dúvida é uma marca dolorosa que impõe um certo respeito e admiração prévia. Eu que não o conhecia já fiquei com uma boa impressão. O radialista falou num tom tão enaltecedor, tipo : "O cara foi preso na ditadura é um ex-guerrilheiro, é engajado".

Ter sido preso no período militar por mobilizar causas contra a repressão é uma grande vantagem moral. Tudo bem que para ele, no exato período de repressão não trouxe tantas vantagens. Talvez a sensação de missão cumprida por ter tentado cutucar a onça e por ter dado a cara a tapa junto a grandes intelectuais e pensadores da época. Se alguém que viveu entre o período de 1964 à 1985 está hoje envolvido com a política, coçam as línguas a tal pergunta " foi preso ?" "torturado, exilado ?" "nem um tapinha, nem uma vez foi posto pra correr?"

Se a pessoa nega todas as perguntas já não fica tão bem na fita. Afinal, os sofredores de outrora seriam os heróis da história da liberdade no nosso país. Claro que nem todos os que se envolveram com movimentos de oposição merecem esse título de herói, como nem todos que ficaram embaixo da cama merecem o título de vilões. Algumas pessoas dizem que os covardes são mais inteligentes. Pode até ser que sejam.Mas até o FHC ficou um pouquinho melhor na fita comigo quando eu soube(na época eu tinha uns 10,11 anos) que ele foi exilado.Talvez esse seja um dos meus critérios involuntários para a política. Percebi que tenho total aversão a políticos atuais que fizeram parte da Arena(partido de apoio aos militares) mesmo antes de descobrir esta informação. Talvez seja por isso que eu goste com moderação do Lula. Ele pode ter todos os defeitos e insuficiências que tem, mas o barbudo pegava o microfone e apavorava os modelos ditatoriais com seus movimentos grevistas e pró-liberdade.

Bem, a gente nunca pode resumir ninguém a nada,nem acreditar que todos os ideais revolucionários são puros. Como nem podemos generalizar que todos os que optaram pela passividade no período de ditadura militar são "sem-causa". Mas eu tenho uma certa atração pela subversão sincera. Pode ser até mínima, mas operante. Como aquele cara que tocava Geraldo Vandré nas festas da casa de seu pai militar deixando a família desconsertada. Como aquele cantor que burlou a censura escrevendo "Afasta de mim esse cálice" e gritando um sonoro "Afasta de mim esse cale-se". Como aquele que morreu violentamente lutando por um país mais justo, mas livre e mais democrático.
"Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade "
Chico Buarque de Holanda

12 de maio de 2008

Quase sempre


Nem sempre todas as cores são azuis
Nem sempre todos os versos são livres e de prata
Nem sempre todo silêncio vale ouro
Nem sempre todo homem é feito de lata.


Quase todas as mães são felizes
Quase todo vapor embaça
Quase toda rocha fragmenta
Quase todo palhaço perdeu a graça.


Nem sempre quase tudo...Nem sempre quase nada. Quase nunca.

11 de maio de 2008

Mal postado


Como ultimamente tenho tido muito pouco saco e muito pouco tempo para escrever algo de verdade ou até mesmo de colocar no papel coisas já "escritas" em minha mente, vou colocar aqui o link de um video que vi recentemente e adorei. Como hoje é comercialmente Dia das Mães (emocionalmente todo dia é dia das mães), e o vídeo aborda o assunto, nada mais pertinente. Há um porém para quem não fala inglês, o vídeo é todo nessa língua e não possui legenda. Mas como sou democrática, deixo também o link de outro vídeo muito bacana da Fernanda Takai(vocalista do Pato Fu e fofinha) e do Rodrigo Amarante(Ex-Los Hermanos, atual Orquestra Imperial e fofinho). Tudo bem, o vídeo é impertinente mas muito fofinho. Para quem tem uma mãe fofinha(como a minha normalmente é :] ) existe aí uma correlação temática. Para quem não, fica o consolo carente e fofo dos fofinhos do vídeo. Ou não.

http://www.youtube.com/watch?v=XmecyCCdknk&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=sei7o06adII

3 de maio de 2008

God only knows


I may not always love you
But long as there are stars above you
You never need to doubt it
I'll make you so sure about it

God only knows what I'd be without you