15 de maio de 2008

"Mesmo calada a boca, resta o peito"


Hoje estou com pensamentos recorrentes sobre a Política atual como ringue entre vilões e mocinhos do passado.E sobre Números Complexos também.

Tudo começou pela manhã, quando indo ao cursinho escutei numa emissora de rádio que o atual ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi preso e exilado no período ditatorial do país.E isso sem dúvida é uma marca dolorosa que impõe um certo respeito e admiração prévia. Eu que não o conhecia já fiquei com uma boa impressão. O radialista falou num tom tão enaltecedor, tipo : "O cara foi preso na ditadura é um ex-guerrilheiro, é engajado".

Ter sido preso no período militar por mobilizar causas contra a repressão é uma grande vantagem moral. Tudo bem que para ele, no exato período de repressão não trouxe tantas vantagens. Talvez a sensação de missão cumprida por ter tentado cutucar a onça e por ter dado a cara a tapa junto a grandes intelectuais e pensadores da época. Se alguém que viveu entre o período de 1964 à 1985 está hoje envolvido com a política, coçam as línguas a tal pergunta " foi preso ?" "torturado, exilado ?" "nem um tapinha, nem uma vez foi posto pra correr?"

Se a pessoa nega todas as perguntas já não fica tão bem na fita. Afinal, os sofredores de outrora seriam os heróis da história da liberdade no nosso país. Claro que nem todos os que se envolveram com movimentos de oposição merecem esse título de herói, como nem todos que ficaram embaixo da cama merecem o título de vilões. Algumas pessoas dizem que os covardes são mais inteligentes. Pode até ser que sejam.Mas até o FHC ficou um pouquinho melhor na fita comigo quando eu soube(na época eu tinha uns 10,11 anos) que ele foi exilado.Talvez esse seja um dos meus critérios involuntários para a política. Percebi que tenho total aversão a políticos atuais que fizeram parte da Arena(partido de apoio aos militares) mesmo antes de descobrir esta informação. Talvez seja por isso que eu goste com moderação do Lula. Ele pode ter todos os defeitos e insuficiências que tem, mas o barbudo pegava o microfone e apavorava os modelos ditatoriais com seus movimentos grevistas e pró-liberdade.

Bem, a gente nunca pode resumir ninguém a nada,nem acreditar que todos os ideais revolucionários são puros. Como nem podemos generalizar que todos os que optaram pela passividade no período de ditadura militar são "sem-causa". Mas eu tenho uma certa atração pela subversão sincera. Pode ser até mínima, mas operante. Como aquele cara que tocava Geraldo Vandré nas festas da casa de seu pai militar deixando a família desconsertada. Como aquele cantor que burlou a censura escrevendo "Afasta de mim esse cálice" e gritando um sonoro "Afasta de mim esse cale-se". Como aquele que morreu violentamente lutando por um país mais justo, mas livre e mais democrático.
"Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade "
Chico Buarque de Holanda

Um comentário:

Antônio J. Xavier disse...

O importante é não radicalizar...
Eu, por exemplo, não gosto do Lula.
Com moderação tb.
Mas respeito muito a história dele antes de 2002...
A partir dali...

Bjos