28 de janeiro de 2009

De volta à quinta série.


Dia de trabalho. Pois é, vida mansa demais cansa mesmo. A escola em que eu estudava, uma escola de grande porte e estrutura da cidade, permite que seus ex-alunos se inscrevam se quiserem trabalhar como fiscais ou auxiliares em tarefas da escola, ganhando para isso um determinado valor. E assim me inscrevi e fui chamada para uma segunda- feira, após fim de semana de festa na cidade, às 6:30. Ok. Fui toda responsável e morrendo de sono. Chegando lá me deparo com o fato de ter que recolher materiais escolares ( aquelas listas que as escolas pedem) da sala do sexto ano D ( o que seria quinta série no meu tempo). Me animei na hora. Adoro criança e lá em particular tem cada peça fofa...Tive que me controlar para não morder uns três com bochechas salientes.

Me chamavam de Tia, de Professora, perguntavam se teriam aula de robótica ( e de fato tiveram)...Todos educadinhos e fofos. Incrível...Não tive problemas com nenhum. Claro que os meninos nessa idade são mais subversivos e te ignoram...Ficam rindo um dos outros. Mas as meninas foram todas educadas, responsáveis e organizadas. Algumas você conseguia prever o futuro. Lembrei de mim nessa época, pelo menos tentei lembrar. Fiquei realizando o quanto o tempo passa rápido e de repende você começa a ter todas as experiências que você julgava de adulto naquela época te acontecendo de uma vez como um turbilhão. E você se sente bem e mal ao mesmo tempo. Feliz por tudo estar acontecendo e triste por já te acontecido e toda expectativa que nutre e anima a gente ter sido superada.

A professora de Ciências dando aula sobre os astros e eu lá babando com as carinhas deles. Carinhas de quem ainda vai viver tanto, aprender sobre tanta coisa. Carinhas de curiosidade, de vida em flor.

Lindos. Achei o máximo ter vivido aquilo. Ainda mais por ter sido exatamente em um momento que minha vida disparou e me pego correndo e me agarrando nas coisas para que não passem tão rapidamente.

Depois de estar com eles fui para o trabalho braçal junto aos meus outros colegas. Arquivar coisas, separar, listar, pegar peso...A parte chata. Sem a fofura infantil.

21 de janeiro de 2009

Tempo De Colheita (1)

*
A felicidade.

O êxtase da felicidade me rouba as palavras. Silencia-me em cada tentativa vã de narrar acontecimentos incríveis. Supremos e apaixonantes.
Tenho histórias para contar. Porém, a minha atual explosão ininterrupta me inibe e me faz deixar para logo mais, outro dia, uma noite dessas.
Exijam de mim, devo três textos ao Blog. Três momentos mágicos que me ocorreram... Seria até injusto ignorá-los. Claro que com todo critério e respeito ao que pode ou não ser dito. Algumas coisas nasceram como segredo e devem morrer assim.


Para não deixar esse texto tão assim, recadinho, deixo um poema que fiz .


*
Olhos turbulentos. (Intraduzíveis )
Erupções e terremotos contínuos. Fogo, fúria e doçura.
Exclamação, interrogação. (Não captei)(Estavam fechados) (Escuros escudos)
Notas musicais correndo, atropelando. Anestesia.
Seca.
Um vazio por dentro que nem a fumaça do cigarro ocupa.
Falta de bolo de coco no sítio, cafuné na rede, um dia como quando nasceu.
Menino louco, de pedra, de balão, de baixo.
Uma coruja. (Perigosíssima)
Menino do sexo, das drogas e do rock'nd roll.
Cheio de verdades e mentiras em iguais proporções.
Parece querer ir para o céu... Para assim poder morar no inferninho de lá...
Fazer um som com a galera.

6 de janeiro de 2009

A vida do ator



O ator é livre.

É um monte de tinta. Uma pilha de livros.

Aquele fim de tarde que nunca acaba.

O sol sempre se pondo.



Mastiga a vida com gosto e depois fica de barriga para cima sonhando com as estrelas.




*Escrevi este texto para Leonardo, um ator. Ele diz ter gostado. Vai saber. Mas vale para quem sentir. Para todo amante, como eu, desta arte de ser múltiplo e indivisível.