22 de março de 2009

Sobre música e sensações.


Música boa.
É aquilo que te comove de alguma forma. Seja para te fazer sentir livre para pular ou para te fazer entender alguma coisa nova sobre a vida. Música para mim tem que funcionar. Não pode simplesmente passar sem movimentar nem mesmo o mais superficial sentimento. Preciso sentir alguma coisa nova ouvindo uma música.

Eis a questão.

Hoje falarei de uma banda que mexe comigo. Uma banda de rock, brasileira, engraçada, original dentro da homenagem, livre, louca... Cachorro Grande.

E não perguntem para eles o porquê. Cansaram de respoder. Aquela coisa de The Beatles versus The Rolling Stones... Briga de cachorro grande. Voilà !!

Há um tempo ouvi dizer que essa banda existia mas eu simplesmente ignorava. Não conhecia nada além do nome. Até que um dia, eu devo ter visto uma comunidade no orkut e fui ouvir do que ser tratava...Daí...Pá...Quase três anos de paixão. Recente, dado que a banda tem seus 10 anos de carreira, mas avassaladora.

Comecei gostando de Sinceramente, uma baladinha popular. Daí passei para doses mais fortes, Você não sabe o que perdeu, Agora eu tô bem louco, Lunático. Tudo misturado. Roda Gigante foi a trilha sonora do meu ano de 2007.

Assumi a banda sem ordem de discografia. O que chegava eu escutava. Hoje no mínimo duas músicas deles estão na minha lista de músicas favoritas. Uma delas praticamente biográfica: Que loucura.

Adoro.

Em janeiro fui a um show deles que aconteceu pelas bandas de cá. Conheci os caras e junto às minhas duas primas e à uma amiga reconhecida, depois de muito papo nos bastidores, assistimos o show do palco. Isso mesmo. Sentindo a adrenalina do lado, de perto. Com direito a intimação de Beto Bruno, vocalista, a irmos até a boca do palco gritar em coro "On The Night Club", trecho da música Lili.

Aquela emoção. Nada de fanatismo ou devoção, apenas sensação de corrente 220 na veia. Estar do lado de quem se gosta é mágico. Vou avisando...

Quando eu li numa revista daqui que haveria este show, ainda era novembro. Eu levantei do sofá, larguei a revista no chão e começei a girar e a gritar "não acredito" sem parar...Minha mãe achou exagero, logicamente...Mas com certeza se fosse show do Bee Gees ela faria o mesmo. (Eu só desmaiaria se fosse Chico Buarque ou Beatles.)Parecia que eu já previa o quanto que aqueles dois dias com a banda seriam sensacionais. Isso. Houve o segundo dia, uma reunião na piscina do Hotel, com direito a música e boas risadas.

Pois é, os caras são divertidos, loucos, bons músicos, simpáticos.

É isso.

Conhecer uma das bandas que a gente mais gosta, é bom. Assistir o show dessa banda no placo com ela, é ótimo. Mas se envolver de verdade com a música que ela produz, é demais !


Cachorro Grande. Podem anotar.

* Foto minha tirada lá do palco no dia do show.

13 de março de 2009

Nada


O que seria o Almodóvar sem a Penélope Cruz ? O Tarantino sem a violência ? O bolo de festa sem a cobertura ? Ou Paris, sem a Torre Eiffel ?


O que seria o boteco sem o chope gelado ? A praça sem o banco ? As rosas sem as hastes ? Shakespeare sem tragédias ? Os Beatles sem o Lenon ?


O que seria o carnaval sem as cores ? O que seria a literatura sem as lágrimas ? O que seria a ferida aberta sem a vermelhidão ? O fim da opressão sem o Tropicalismo ?


O que seriam as mulheres sem o espelho ? O que seriam as artes sem a subjetividade ? O papa sem os católicos ? O que seria o domingo sem o nada pra fazer ?


O que seria a caneta sem a tinta ? A música sem o som ? Os peixes sem os brônquios ? O beijo sem o contato ? A fé sem a verdade ? Eu sem eu mesma ?


O que seria ?


...

6 de março de 2009

Diário de bordo


Montmartre - Paris - 28 de fevereiro de 2009


My dream come true.

Estou no bairro dos meus sonhos comendo um crepe doce no restaurante, Le Consulat, frequentado por Van Gogh, Toulouse- Lautrec...O restaurante da pintura da parede do meu quarto.

Paris está fria e mesmo perdida pela cidade, me sinto encontrada em cada passo que dou. Pinturas, fotografias, música...Tudo parece a constituição de um universo parelelo, real e encantador desde os mínimos detalhes.

Estou sozinha mas não me sinto só. Me sinto acompanhada por tada magia que um dia acreditei ser fantasia de cinema francês ou exagero dos românticos.

Paris pede amor. Paris cobra afeto mesmo seu povo sendo tão sério ( uma fisionomia de preocupação profunda com algo desconhecido pela filosofia humana) e aparentemente frio.

Você sente vontade de devorar Paris, fixar no seu corpo, levar na mala ela por inteira. Com as ruas cheias, vazias, com a música, com o silêncio, com o frio térmico e humano, com a eferverscência cultural, com Montmartre sem limites.

Paris me pede e eu peço Paris.