30 de maio de 2009

Churrasco de rúcula


No começo dessa semana participei de um Mini-curso na UFS sobre Direito Animal. Lá houve uma discussão à respeito do especicismo humano perante os animais, ou seja, o fato de nos acharmos uma espécie superior que tem a "legitimidade" de usar os animais ao nosso bel-prazer. Essa é uma ação humana absurda, já que somos tão espécies quanto os outros animais são.
Enfim, o tema de hoje não é esse, mas sim a alimentação vegetariana. Depois do acesso a vídeos, documentários e coisas em geral que li, resolvi adotar essa inspiração vegetariana.
Há muitos anos que já retirei a carne vermelha do meu cardápio. Sempre tive uma teoria que eu não precisava me alimentar de mamíferos e que a carne não faria bem a minha saúde. Pois bem, há três dias parei de comer frango, peixe e frutos do mar. Ainda é cedo para me sentir vegetariana, ou melhor, ovolactovegetariana, já que ovo, leite, derivados e o mel, eu não pretendo retirar da minha alimentação.
Toda a decisão por uma alimentação sem carnes animais deve ser pensada com inteligência e pesquisa, afinal precisamos procurar alimentos que preencham as lacunas que as carnes deixarão para quem já comia habitualmente.
Talvez o mais difícil para mim será não comer peixes e frutos do mar, já que sempre gostei muito. Mas tentarei. Tentarei sem cobranças ou obrigações com algo além de minha decisão individual.
Uma filosofia deve ser um compromisso de alguém consigo mesmo. É a aplicabilidade do que acreditamos fazer sentido. Mas isso deve ocorrer de forma natural e verdadeiramente sincera. Não vou dizer que deixarei de comer queijos, leites, mel, pois estaria me enganando. Bolos, doces, massas, levam alguns desses ingredientes e não pretendo deixá-los de lado. Sei que existe o leite de soja, por exemplo, para isso, mas na cidade que moro, o mais perto de uma alimentação vegetariana que encontrei foi "Peito de Peru Light". ¬¬ Os supermercados ainda são um grande obstáculo para uma decisão vegetariana. Mas dá pra encontrar uma ou outra coisa perdida dentro deles.
Meu objetivo não é ser bicho grilo, não é emagrecer, não é virar profeta, é simplesmente tentar aplicar algo que faz sentido para mim pelo menos ultimamente. Não condenarei jamais quem come carne, afinal como já disse, essa é simplesmente uma escolha pessoal. Quem tiver idéias à respeito ou receitas ou depoimentos, manda-me mucho. x)

17 de maio de 2009

O eterno feminino.


Meninas, apesar de revolucionárias, independentes e corajosas, também somos femininas. Babamos num esmalte bonito, hidratamos as nossas madeixas (ou deveríamos pelo menos), desenhamos nossas sobrancelhas. Sabemos cozinhar(fazer miojo, ferver água e fritar ovos), lavar (molhar e jogar um sabão em pó em cima) e passar (-Filha, você vai sair com essa roupa amassada ? - Eu passei mãe !). Tudo bem, nem todas nós somos prendadas e educadas nos moldes femininos da Sacré-Coeur, mas todas temos um lado mulherzinha de ser. Pelo menos deveríamos.
Eu sou defensora da liberdade feminina de escolha na sociedade. Por enquanto, penso em cuidar da minha carreira, conhecer países, conhecer pessoas, viver experiências pelo mundo, me superar, ter uma vida antes de mais nada, com liberdade de ação. Mas não condeno jamais uma mulher que casou aos 20 e hoje cuida apenas da casa e dos filhos. Acho que cada um deve dar seu melhor em suas escolhas e não existem escolhas certas ou erradas quando falamos de realização pessoal. Acho triste sim, quando algumas mulheres abrem mão de si para um casamento e passam a viver em função dos outros apenas. Só que muitas mulheres sentem-se realizadas em educar seus filhos, preparar o almoço so seu marido, cuidar do seu lar. É importante que cada mulher viva o que sente prazer em viver. Não que com isso eu acredite num mundo perfeito onde cada pessoa só faz o que gosta, não é isso. Mas acredito que pelo menos as escolhas fundamentais devem ser feitas por uma vontade e uma conexão com a essência maior que trazemos dentro de nós. E não por uma obrigação tradicional e preconceituosa que estabeleceu um papel para cada sexo.
É bonito ser mulher de todas as formas que existem. Das mais conservadoras, às mais liberais. Das mais engajadas, às mais fúteis. Seja como for, temos dentro de nós a essência da água, a essência feminina, e devemos preservá-la. Independentemente na situação familiar, opção sexual profissão, tipo físico, situação econômica ou nacionalidade. M-U-L-H-E-R-E-S.
E os homens nos devem respeito, não porque queremos, mas por que acima de tudo, merecemos e conquistamos.
Tantas mulheres fizeram e fazem história, arte. As Virgínias, as Marthas, as Audreys, as Madonnas, as Janis, as Joanas, as Joans, as Ediths, as Anitas, as Enys. A última em especial, a Eny. Minha mãe que me ensinou a ser uma pessoa de verdade. Uma pessoa que sente, que fala, que erra, que muda, que melhora, que luta. Mesmo sem perceber aprendi muito do que sou com ela e espero um dia ser como ela em muitas coisas.
Todo dia é dia das mães e das mulheres.

16 de maio de 2009

Racionais pero no mucho


Que somos seres pensantes, espirituais e complexos, não temos dúvidas. Mas nossos traços animais muitas vezes apesar de maquiados, falam mais alto. Apesar de vivermos sob o controle de nossas emoções, razões e nosso equilíbrio comportamental, temos instintos, hormônios, sentimentos. As vezes a gente pára e pensa," como pude falar aquilo, ou fazer aquilo ?" Ou "onde eu estava com a cabeça" ? É, meus amigos primatas, ainda somos animais apesar de tudo. Tipo o leão, a baleia ou um porquinho. Mas temos espírito, filosofia, consciência, podemos evoluir em nossas ações, desenvolver cultura, arte. Podemos nos aprimorar, estudar o mundo, o funcionamento das coisas, de nós mesmo. Temos todo o nosso aparato que nos fortifica na diferença entre o leão, a baleia ou um porquinho. Mas somos todos animais.
Nas mulheres uma TPM dispensa qualquer conceito de razão. Os homens vendo uma mulher passando com roupas provocantes, mesmo que estejam com a Gisele Bundchen do lado, olham. Gritos de uma final de campeonato. Seu estômago num jejum até às 13 horas. Sede sem água. Calor dentro de um ônibus lotado. Uma mãe defendendo um filho de um bandido. Desejo por algo ou alguém. Você no topo de um prédio com medo de altura. Ter sono e não poder dormir. Tudo isso implica em instinto. Lágrima, suor, saliva, dor de barriga, coceira, nojo, medo...Somos todos um tanto incontroláveis. Claro que isso não é justificável para que saiamos por aí pintando e bordando sem o mínimo de razão. Afinal, estamos numa sociedade que com o passar dos anos foi abrindo mão de seus instintos para dominar o mundo e a si próprio. Isso pode ser bom e ruim. Bom, pois teremos a sensação de normalidade e aceitação. Ruim, pois seremos impedidos de viver as nossas reações naturais. No fim das contas, temos que nos dar um desconto por sermos humanos, não é verdade ?
Acho que o ideal é viver como se sente bem. Seja numa praia de nudismo ou num escritório em New York. Somos todos humanos e se bater a fome e não tivermos o que comer, a gente pode acabar cometendo canibalismo. Já viram os tantos casos ?
É assustador para os mais conservadores ou hipócritas, mas sair do controle é humano. Ser irracional às vezes também é. Sempre não, porque aí já é patologia. Tipo um leão que mata todos os bichos que passam pela sua frente sem a intenção de comer ou se defender. Até ele perderia os limites da irracionalidade.

11 de maio de 2009

Caso sério


Casamento é uma invenção do diabo para tranformar as pessoas em monstros que querem se consumir.

Estou achando isso pelo menos por hoje.

10 de maio de 2009

O último gole no seu copo.


Sua infeliz mania de enxugar a espuma da cerveja com o braço. Sua idéia de que não havia coração mais aberto do que o seu. E de que ele era só para mim.Seus moletons vermelhos e seus óculos retrô. A mania de sempre tentar ser carinhoso com as mães dos outros. O inviolável mistério dos seus casos sentimentais. A mania de nadar de roupas na piscina. As piadas profanas. Nossos cinco futuros filhos. O bolo de laranja na casa da sua Vó. Composições musicais enquanto estávamos bêbados e sentados na calçada. O perfume do seu pescoço. Aquelas sardas multicoloridas pelas costas. O típíco olhar do James Dean. O Helter Skelter e o Gimme Shelter. Nosso fim de tarde com o Sr. Mário recitando poesia tradicional dos pampas. Sua mãe me obrigando a experimentar um tal churrasco. Eu não aceitando. O esconde-esconde da gente com seus dois sobrinhos. O balanço e a chuva naquele Julho que escolhemos como o mais importante. Você dirigindo meu carro. Nossa fogueira com o Play dos Stones tocando(lá na fazenda do seu tio Nilo). Minha fracassada tentativa de reproduzir aquela massa da sua avó. Eu ter largado tudo para estar com você. A gente se molhando enquando fazíamos faxina e escutávamos The Who. O pingente-guitarra que você me deu para eu não te esquecer. Nossas idas aos shows trash na Augusta. Você imitando o Magal. A gente cantando "It ain't me babe" em dueto e com vozes engraçadas. Sua obsessão por aprender a dançar forró. Nossas brigas. O medo de te perder. Aquela geladeira só para cerveja que a gente comprou junto. Os filmes que só você queria ver. Os filmes que só eu queria ver. Todos que vimos juntos. Nosso coquetel "Lennon-Jagger". Você examinado as linhas da minha mão. Sua mania de sair ao Sol sem filtro solar e como você fica vermelho depois disso. As risadas pelo telefone às três da manhã. As promessas. Nossa viagem para o Reino Unido. O retiro na Índia. Eu te explicando o aquecimento global e você fumando e rindo. As rosas brancas que você espalhou pela casa. A toalha molhada no chão. As festas sem fim. O Lou latindo com a gente e a gente miando pra ele.Você dizendo que me amava. Eu beijando seus olhos fechados. Nossas mãos dadas pelo caminho. Aquele dia que eu cheguei de surpresa e te vi no meu espaço com aquela mulher. A forma como você a beijava de olhos fechados. O gosto do fel é muito amargo. Aquela faca que um dia eu comprei para cortar um bolo de laranja que aprendi a fazer. Não mais. Suas justificativas. Seu apelo. Os gritos dela. Minha proximidade. Aquela moça loira de olhos pintados de escuro correndo nua. Meu espaço se encontrando com o seu. Minha dor. Seu sangue escorrendo pelo chão. Seu olhar atento que se apagava enquanto você caía. Seu coração aberto como nunca. Dessa vez para sempre.

7 de maio de 2009

O que é normal para você ?

Ein ? Às vezes eu me perco nesse conceito.

5 de maio de 2009

Não passei no exame criminológico e você ?


Enquanto estou aqui cobrindo os meus miolos de teoria da anomia, subculturas criminais e outras longas histórias, ele me pede para parar tudo e escrever aqui. Isso me implica deixar de revisar para a prova de amanhã e correr riscos. Estou arriscando.
Como uma grande maioria estou gripada, e passei o dia em casa raciocinando como funcionam os esquemas de estudo criminológico. Daí, as vezes paro e leio coisas aleatórias, lembro de pessoas, escuto uma música, vejo um vídeo, baixo um filme, e começo a raciocinar como funcionam os meus próprios esquemas. Os riscos do pensar para dentro no seu próprio tempo. Na verdade, é sempre complicado se traduzir e eu tento fazer isso sem a cobrança de fazer de forma clara.
Por exemplo, nessa noite eu sonhei vários curtas. É engraçado que dentro do sonho eu constatei que eram curtas e me lembro de algumas histórias. Uma falava de minha amizade com um amigo de uma amiga minha ( que é só um conhecido) e de como ele era próximo e de como conversávamos com tanta sintonia e amizade. No outro eu e outros estudantes lá da Ufs tentávamos chegar na sala de aula nadando, já que a chuva tinha alagado tudo. E chegando na sala eu tive uma sequência de luta estilo Jackie Chan com o professor. E outros que começavam e acabavam tendo a clara percepção de fim de filme e ínicio de um próximo...
A gente sempre tenta se justificar e fazer sentido. Ser sociável e misantropo. Ser você mesmo ou o que pode ser no momento. Estudar Positivismo Criminal e querer falar de suas desconexões.
Já que estou permeada por assuntos criminológicos e por uma necessidade de pessoalidade, vou usar as características das Técnicas de Neutralização dos crimes na minha vida pessoal. Vamos lá.

1) Negação da Responsabilidade : Tudo bem que eu deveria estar estudando, mas no fundo escrever aqui também é importante.

2) Mal em si x Mal proibido : Pior seria se nem aqui escrevendo eu estivesse.

3)Negação de vitimização: A prova é uma opressão, escrever é liberdade...Né ?

4)Condenação dos que condenam : É melhor escrever aqui do que estar decorando sistemas de Parsons.

5) Apego às instâncias morais superiores: É um bem maior escrever.


Que post louco. A própria anomia.

4 de maio de 2009

Um breve post. (como a vida é). Dylan still alive. ( e em cores)


Eu estava escutando o último Albúm do Bob Dylan, Together Through Life e fiquei pensando sobre como a vida é breve. É, com vinte anos me desespero com a ferocidade dos momentos e com como voam os dias. Imagina o Dylan.

Estava escutando sua voz consumida pelo tempo(mas não menos bela) e suas novas melodias enrugadas( não menos vivas), quando constatei que o tempo passa com um silêncio assustador. E por vezes nos transforma (ainda falantes) em filme mudo. Não farei um texto filosófico, não se preocupem.

A voz do Dylan nesse último Cd ,me lembrou duas pessoas , Tom Waits e Johnny Cash. O último em especial quando cantou Hurt, uma música que tinha que ser dele mas por um acaso qualquer da vida não foi.
O Dylan é um mistério. Vejo uma legião de fãs cultuando sua imagem de quando jovem, sua voz de quando jovem, seus hits de quando jovem...Mataram o Dylan. É como se ele fosse valorizado por um pedaço de sua história. Ele está vivo. Não com a aparência e a voz de outrora, mas com o mesmo espírito, a mesma história. É curioso como isso é comum. Aconteceu com vários outros músicos que ainda vivos têm que assistir de camarote às suas mortes e ao clamor de suas ausências. Há quem chore de saudade do Paul Mccartney do pôster, enquando o mesmo cara ainda faz show por aí...Se a morte do Lenon não tivesse sido tão divulgada, eu juraria que ele estaria ainda vivo em algum lugar mas já dado como morto.

Vestimos uma camisa com uma foto de alguém com 20 anos que hoje com 60 foi esquecido no armário. Acho que eles olham para suas figuras no passado e não se sentem parte delas. É uma loucura.
Coisas que me surgem em mente...O que vocês pensam sobre ?
Meus caros, volto em breve.

Um feliz Maio para nós, vós e eles.