10 de maio de 2009

O último gole no seu copo.


Sua infeliz mania de enxugar a espuma da cerveja com o braço. Sua idéia de que não havia coração mais aberto do que o seu. E de que ele era só para mim.Seus moletons vermelhos e seus óculos retrô. A mania de sempre tentar ser carinhoso com as mães dos outros. O inviolável mistério dos seus casos sentimentais. A mania de nadar de roupas na piscina. As piadas profanas. Nossos cinco futuros filhos. O bolo de laranja na casa da sua Vó. Composições musicais enquanto estávamos bêbados e sentados na calçada. O perfume do seu pescoço. Aquelas sardas multicoloridas pelas costas. O típíco olhar do James Dean. O Helter Skelter e o Gimme Shelter. Nosso fim de tarde com o Sr. Mário recitando poesia tradicional dos pampas. Sua mãe me obrigando a experimentar um tal churrasco. Eu não aceitando. O esconde-esconde da gente com seus dois sobrinhos. O balanço e a chuva naquele Julho que escolhemos como o mais importante. Você dirigindo meu carro. Nossa fogueira com o Play dos Stones tocando(lá na fazenda do seu tio Nilo). Minha fracassada tentativa de reproduzir aquela massa da sua avó. Eu ter largado tudo para estar com você. A gente se molhando enquando fazíamos faxina e escutávamos The Who. O pingente-guitarra que você me deu para eu não te esquecer. Nossas idas aos shows trash na Augusta. Você imitando o Magal. A gente cantando "It ain't me babe" em dueto e com vozes engraçadas. Sua obsessão por aprender a dançar forró. Nossas brigas. O medo de te perder. Aquela geladeira só para cerveja que a gente comprou junto. Os filmes que só você queria ver. Os filmes que só eu queria ver. Todos que vimos juntos. Nosso coquetel "Lennon-Jagger". Você examinado as linhas da minha mão. Sua mania de sair ao Sol sem filtro solar e como você fica vermelho depois disso. As risadas pelo telefone às três da manhã. As promessas. Nossa viagem para o Reino Unido. O retiro na Índia. Eu te explicando o aquecimento global e você fumando e rindo. As rosas brancas que você espalhou pela casa. A toalha molhada no chão. As festas sem fim. O Lou latindo com a gente e a gente miando pra ele.Você dizendo que me amava. Eu beijando seus olhos fechados. Nossas mãos dadas pelo caminho. Aquele dia que eu cheguei de surpresa e te vi no meu espaço com aquela mulher. A forma como você a beijava de olhos fechados. O gosto do fel é muito amargo. Aquela faca que um dia eu comprei para cortar um bolo de laranja que aprendi a fazer. Não mais. Suas justificativas. Seu apelo. Os gritos dela. Minha proximidade. Aquela moça loira de olhos pintados de escuro correndo nua. Meu espaço se encontrando com o seu. Minha dor. Seu sangue escorrendo pelo chão. Seu olhar atento que se apagava enquanto você caía. Seu coração aberto como nunca. Dessa vez para sempre.

2 comentários:

arritmia disse...

já te disse o que achei desse texto.
sério, ainda acho que você deveria vendê-lo; custaria bem uns cinco mil reais.

como estávamos conversando, a gente escolhe entre seguir em frente ou viver algo superficial e cíclico.

tenho certeza de que você fez a melhor escolha =)

je suis toujours ici,
bisous =***

Carlinhos disse...

O amor, como já comentei em muitos outros textos, é algo inesplicável, imcompreensivo, inconstante...

Ele nos faz cegos, nos torna capaz de matar, nos deixa "viajando" como se usasemos drogas...

Mas apesar do medo de nos apaixonar vivemos a vida toda tentando encontrar nossos principes e princesas encantados (as)...