23 de agosto de 2009

Pulsando azul da prússia


Meu coração é ocupado por um terreno de flores em tom vermelho-sangue que se renovam e por momentos me deliciam com o aroma que exalam dentro de mim. Uma anestesia, uma sinestesia. Um tal de sonhar com mãos que dadas, se sentem.
Quando essas flores brotam, corre pelas minhas artérias uma forte dose de amor a ser dado . Um buquê sedutor a ser entregue. Começam os sonhos, o brilho nos olhos, as cores. Gratuitos. Um observar novos horizontes, novos sorrisos, novos viveres.
Se não há quem as colha, elas murcham em um processo doloroso e aflito. Porém, temporário. Então quem assume é a cor azul da prússia. Ela invade o terreno outrora habitado pelas diversas flores sedentas por um olfato sensível e passa a tornar gélido o ambiente. Gélido e completamente azul. Então uma fina cobertura de neve e inspiração o ocupa. Não inspiração anti-romântica necessariamente, mas certamente de observação dos corações alheios e atados. Dos jardins que observo de minha janela. Passa a existir um gosto de gelo no centro da língua.
Apesar do desgaste em decorrência das constantes mudanças de estações, o coração enquanto pulsar, morrerá e renascerá em pétalas aveludadas e ansiosas por toques sinceros de mãos que sabem sonhar. Mesmo que o amor que corre em artérias saindo do peito volte solitário em veias que retornam (como uma carta que não encontrou endereço existente), que ele continue pulsando e fertilizando o solo das flores. Permitindo que o amor impossível encontre a sua possibilidade dentro de si mesmo. Uns chamam isso de dedicação exclusiva ao amor-próprio. Eu chamo de momento azul da prússia.

3 comentários:

Vee disse...

Você precisa publicar coisas..logo! Mais pessoas precisam ler o que você tem a escrever.

João Luis Carvalho disse...

Muito bom o teu blog!
Parabéns!

Abraço!
j.

arritmia disse...

saudades de ler aqui!!

bisous =*