7 de dezembro de 2009

Ainda continua...


"Resolvi deixar fluir a corrente de vida súbita que me acometeu e preparar um bolo. Nunca tive muita paciência com a cozinha e como uma boa quase balzaquiana nada prendada e que mora sozinha, sempre idolatrei os congelados e enlatados. Mas hoje seria diferente, afinal tudo estava naturalmente sendo atípico. Por que não me render a todas as tentações de felicidade?
Não lembrava como proceder com os ingredientes. Na realidade, eu nem recordava quais eram exatamente e em que proporção juntá-los. Então lembrei que minha mãe em uma visita deixou alguns livros de receita em uma gaveta. Encontrei até facilmente, estavam empoeirados e com as páginas envelhecidas. Aquelas letras eram da minha avó e só de olhar para elas recordei de muitas coisas que iam além de ingredientes."

3 comentários:

Carlos Lapa Filho disse...

A arte de cozinhar veio para recordarmos...
Através dela procuramos por livros de família, relembramos de fatos passados, tentamos entender como as receitas eram feitas tão facilmente por nossas avós...
Além de tudo isso não podemos esquecer o segredo daquela receita famosa que era feita nos domingos onde toda a família se reunia na mesa da sala de jantar...
Conversas vão e vem e num piscar de olhos um refogado, um strogonoff e até um pudim nasce em frente de nossos olhos...

Néfer Kroll disse...

te acompanho.

Old Circus Blues disse...

Seguindo a linha de raciocinio de Carlos Lapa Filho, minha família não possui livros, tudo fica registrado nos arquivos temporarios das redes neurais da memoria, porem tenho tias fantasticas que sabem realizar maravilhas, alguns priveligiam o salgado outras o doce, o importante é que quando tudo isso vem a mesa, uma enorme satisfação de se sentir satisfeito...